POR ONDE COMEÇAR? DIGA DE UMA VEZ!

BernardoAlgo mudou na vida do brasileiro de alguns anos para cá. Grande parte de nosso povo descobriu que “botar a boca no trombone” pode surtir algum efeito. Se antes a maioria vivia na mais absoluta concordância com seu estilo de vida, em relação a seus direitos e até mesmo confundindo privações e tragédias com a vontade divina (um certo senso comum prejudicial), hoje as redes sociais nos dão a nítida impressão de que isso está virando coisa do passado. Há um mal-estar na civilização, pegando o gancho de Sigmund Freud. Se não reclamávamos, hoje buscamos elementos nas redes sociais para expressar nossa indignação. Assuntos dos mais nobres (alguns nem tanto), estão na pauta do brasileiro. Queremos justiça social. Queremos reforma política. Queremos qualidade de vida. Queremos sonhar e realizar nossos sonhos. Queremos mais sinceridade nas relações humanas. Queremos ter o direito de ir e vir, sem que nenhum larápio nos aborde e tome de nós aquilo que não lhe pertence! Queremos melhor distribuição de renda. Queremos educação, saúde, segurança, queremos VIDA! “A gente quer suar, mas de prazer”, como diz a música do saudoso Gonzaguinha. Pois bem, a questão é: por onde começar? Se lhe fosse dada a oportunidade de conduzir tal epopeia, por onde e como você faria? Qual área seria seu carro chefe? Quem você chamaria para essa grandiosa empreitada. Muitos gastaram suas vidas analisando o comportamento humano e suas relações na sociedade. Qual a forma de se ter um Governo mais eficiente, transparente, menos corrupto e assim por dizer uma sociedade mais “perfeita”? Na Inglaterra podemos citar Thomas Morus (1478-1535), que fez uma crítica acirrada a sociedade de sua época, principalmente na obra Utopia. Morus inclusive foi canonizado santo pela Igreja Católica em 1935, isso mesmo, quatro séculos depois. Platão (427-347 a.C) trata do Governo e da sociedade em A República. Na Itália temos A Cidade do Sol, escrita em 1602, pelo italiano Tommaso Campanella (1568-1639), já no século passado, portanto, mais próximo de nós citamos a obra Walden 2 de 1948, do psicólogo B. F. Skinner (1904-1990), pai do behaviorismo. Em 1605 surge Dom Quixote de La mancha, do espanhol Miguel de Cervantes. Esta obra é uma crítica à cavalaria e a sociedade de então. Karl Marx (1818-1883), Friedrich Engels (1820-1895) e tantos outros como a Escola de Frankfurt (1924) e sua teoria crítica da sociedade são algumas dentre muitas que citamos aqui. Não obstante o homem jamais ter conseguido uma sociedade “perfeita”, existem alguns países que estão há bilhões de anos a nossa frente em questões de “bem-estar”, onde seus habitantes estão felizes com a satisfação com a vida. Austrália, Suécia, Noruega, Suíça, Dinamarca, Canadá, EUA, Nova Zelândia, Islândia e Finlândia, são os dez países melhores para se viver, onde a qualidade do meio ambiente, equilíbrio entre o trabalho e lazer, saúde, satisfação com a vida, educação, segurança são pontos de alta positividade, sendo exemplos para as demais nações. Tal pesquisa foi realizada pela OCDE (Organização para a cooperação e desenvolvimento econômico). Óbvio que podemos citar outros países como Bélgica, França, Itália e Japão por exemplo. A questão é: como e porque essas nações chegaram a um patamar tão elevado de modelo de sociedade que para nós brasileiros tem um ar de “paraíso”? Penso que alguns pontos que são históricos, mas nem por isso justificáveis, deveriam ser exigidos pelo povo brasileiro. Por exemplo: por que nossos políticos são tratados “legalmente” como uma classe superior à população? Aposentam-se com oito anos de “trabalho” enquanto nós, meros mortais, com trinta e cinco. Aposentam-se com salário integral enquanto nós somente com um piso e mesmo assim a maioria não o atinge. Possuem foro privilegiado devido a tal imunidade parlamentar, ou seja, é necessário em muitos casos que o Supremo autorize um processo contra eles. Nesses países, que citamos (feitos de gente como a gente), os representantes do povo são julgados pela justiça comum. Há, contudo, o outro lado da moeda. Nosso povo apesar de 515 anos de história confunde dever com bondade. Vou explicar. Se algum político é alvo de denúncias contra os bons costumes (erário público), ouvimos muitos dizerem: “mas se não fosse ele seria outro”, “ele roubou mas fez isso, aquilo, acolá”, “se não fosse ele eu não teria isso ou aquilo”, e coisas dessa natureza. Ora, o fato de alguém fazer X não deve álibi, ou excludente de ilicitude para cometer Y! Devemos repensar nossa ética. Tal argumento só dá mais “poder” para que malfeitores se apossem do que é nosso. Se fez deve pagar por isso. Não deve haver em hipótese alguma, alívio para o crime. A questão da corrupção em nosso país é grave. Se aqui em baixo existe o tal jeitinho brasileiro, como poderemos exigir de outrem que andem na linha? Queremos criminosos afastados da sociedade e punidos, mas ao mesmo tempo, defendemos delitos de menor potencialidade. Querem um exemplo: se alguém é abordado e não possui permissão para dirigir ou a carteira de habilitação e as medidas previstas forem aplicadas, como multa, por exemplo, muitos tentaram se safar dizendo: “eu não fiz nada”, “sou trabalhador”, “não prejudiquei ninguém”, “não sou bandido”…. e ai vai. Ora, se é previsto em lei, se há o cometimento de crime ou infração, a lei deve ser aplicada. Vejam como nossa situação cultural é complicada. Olhem os casos de autoridades que dão a famosa carteirada? “Você sabe com quem está falando?” Na maioria das vezes ocupam cargos e funções que deveriam dar exemplo. Por fim, pergunto: se fosse dada a você a oportunidade de conduzir a obra hercúlea de pôr a casa em ordem nesse país, por onde você, leitor, começaria?

*Bernardo Rafael de Carvalho Pereira é Bacharel em Filosofia pela Faculdade Católica de Pouso Alegre – MG e Pós-Graduando em Filosofia e Teoria do Direito pela PUC Minas.

Os artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do Portali9Minas.com.br.

Compartilhe

Copyright © Guia Comercial Alfenas – Portal I9Minas (INOVE Minas) – Alfenas-MG - Guia Comercial Alfenas, Guia OnLine, I9 Alfenas, Portal i9 Alfenas