Olivicultores e especialistas discutem o aperfeiçoamento da cultura em Maria da Fé

O principal polo produtor de oliveira no país está localizado na região da Serra da Mantiqueira

O principal polo produtor de oliveira no país está localizado na região da Serra da Mantiqueira

Ocorreu nesta sexta-feira (20/11) encontro com mesa redonda Olivicultura e Produtividade, no Campo Experimental da EPAMIG em Maria da Fé, no Sul do Estado. O principal objetivo do evento debateu os principais desafios na produção da azeitona e do azeite de oliva, visando aumentar e maximizar a produção. O evento foi promovido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em parceria com a Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolivre).

O principal polo produtor de oliveira no país está localizado na região da Serra da Mantiqueira, que inclui os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além de Minas Gerais, que concentra a maior parte da produção. “A oliveira é uma cultura temperada, que precisa estar em uma região fria para dar a flor, que, por sua vez, vai gerar o fruto. Por isso, a altitude e as temperaturas baixas do sul do estado tornam a região a mais propícia para o cultivo”, afirma o pesquisador da Epamig no Campo Experimental de Maria da Fé, Luiz Fernando de Oliveira.

Conheça um pouco da história da Olivicultura

Apesar de as primeiras oliveiras terem chegado ao país na década de 50, segundo o pesquisador, foi em 2008, com a extração do primeiro azeite extra virgem do Brasil, realizada no Campo Experimental de Maria da Fé, que o interesse dos produtores para a olivicultura foi despertado. Hoje, são 100 produtores e dois mil hectares plantados na Serra da Mantiqueira.

Com a expansão da cultura, começaram a surgir algumas dificuldades e desafios. “Assim, levantamos estes temas com os produtores locais e vamos discuti-los na mesa redonda, para conseguirmos mais produtividade no olival”, diz Oliveira. Em 2015, foram produzidos 25 mil litros de azeite na Mantiqueira.

Produtor de azeitonas na cidade de Consolação e presidente da Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive), Carlos Roberto Diniz conta que, como o plantio de todos os produtores é relativamente jovem, existe uma diferença muito grande de resultados de produtividade. “Ter uma visão melhor de qual é o real desempenho da olivicultura é um dos desafios. Uma grande dúvida que tenho, por exemplo, é em relação à melhor nutrição da lavoura”, relata.

Diniz fechou sua empresa de aparelhos médicos para se dedicar inteiramente à produção de azeitonas e extração do azeite. Este ano, ele colheu 350 quilos nos seus 20 hectares de plantação. “É um número ainda muito pequeno, então uma das principais questões, e que será discutida no evento, é como tornar a atividade economicamente viável e sustentável”, afirma. Atualmente, ele terceiriza a extração de azeite e produz azeitona em conserva, em pequena escala. “No próximo ano, a ideia é ampliar esta produção, criando uma marca”, planeja.

Cultura é desafio

O pesquisador da Epamig no Campo Experimental de Maria da Fé, Luiz Fernando de Oliveira, explica que, por ser uma cultura nova no estado e no país, a oliveira ainda é uma incógnita para a maioria dos produtores. Sabe-se, por exemplo, que na Espanha, uma árvore madura (que tem em média 10 anos) produz 35 quilos de azeitona. Aqui, a árvore de seis anos está produzindo dez quilos.

Outro ponto importante, que será discutido no evento, diz respeito aos tipos de oliveira. “Existem vários tipos. Será que as que temos hoje aqui são as melhores para o nosso clima? Será que podemos usar a mesma poda utilizada no exterior? Como fazer a adubação, uma vez que o solo aqui é completamente diferente? Todos estes temas serão discutidos e são importantes para o produtor fazer um planejamento melhor da sua produção”, avalia o pesquisador.

A programação será dividida em três linhas temáticas, que abordarão assuntos como estimativas de produtividade; sustentabilidade na produção; pragas e doenças que podem afetar a qualidade; nutrição; solo; clima; e recomendações para a poda.

Participarão do debate especialistas da Epamig, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), do Centro de Citricultura Sylvio Moreira, além de consultores e dos produtores. “A expectativa é que, a partir da discussão dos assuntos, surjam propostas e até mesmo ideias para novas linhas de pesquisa, já que os produtores são a principal fonte de informação do que acontece na prática”, conclui Oliveira.

Fonte: Agência Minas

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